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Fusca 1972 Turbo

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Covardia!

Vamos dar as mãos e chorar, é o que nos resta…

Ao parar na frente deste carro, o único sentimento que se tem é de impotência, pois é agressão imaginar que teve um ser humano capaz de fazer isso com os demais indivíduos da espécie. A gente se dedica e se esforça para ter um carrinho legal e aparece esse Fusca, para detonar com toda nossa moral. O carro reúne em um único projeto: sofisticação, performance e um estilo agressivo. Digno para ter um lugar reservado em qualquer garagem de apaixonados por carros preparados, como eu e você.

Se você se sentiu arrasado ao abrir esta página, pode sair por aquela porta ali em cima e chorar lá do outro lado. Provavelmente eu ainda estarei ali chorando…

Fusca é Fusca, pau para toda obra. O carro resistiu há décadas e possui fãs espalhados por todo o Brasil; clubes e encontros brotam do chão e o “besouro” é aclamado quase que diariamente em algum canto do mundo. Esse da reportagem já participou de alguns encontros, mas a missão dada por Cláudio Leon, o mentor e proprietário, é acelerar sem preguiça.

Quem está envolvido com o nosso meio já sabe. E para quem ainda não domina o dialeto, vai entender fácil: existem duas classes para cavalos de potência. Os cavalos e cavalos do Fusca. Uma coisa é você andar em um carro de 300cv, outra coisa é você andar em um Fusca de 300cv. O motor e transmissão em cima do eixo de tração fazem o carro jogar toda a potência para o chão. Esse exemplar 72 possui os 300cv, e eu tive o desprazer de andar como carona. Com esse par de pneus Hoosier drag radial e um psicopata no “guidão”, soltar a embreagem de primeira marcha e TPS no 100%, é praticamente a bola chutada pelo Branco naquele gol contra a Holanda no 3 a 2 na Copa de 1994 (veja YouTube…). O carro é arremessado para frente, sem patinar ou sair de lado, bola de fogo nível 10. Não me pega nunca mais!

O conjunto é bem equilibrado, o boxer VW é 1.9 com turbo e intercooler foi desenvolvido por Renato Cara, da Concept Car de Guarulhos/SP e reuniu componentes nacionais e importados para andar forte, sem risco de quebras e o mais liso possível.

Pistões forjados da Mahle de 94mm trabalham com bielas EMPI 5.5 H-Beam forjadas no virabrequim, também EMPI, também forjado, com 69mm de curso. A bomba de óleo que garante bom volume e pressão é uma Shadeck com engrenagem dupla 30mm. O volante do motor é em aço e aliviado.

O par de cabeçotes foi trabalhado na Paula Faria e recebeu válvulas de inox com 40mm na admissão e 35mm no escapamento. Trabalha com 9:1 de taxa de compressão no álcool. Quem controla a entrada e saída dos gases é um comando Engle TCS-20 com 294×284º, 112º de lobe center e 11mm de levante na admissão e 10 no escape. As varetas de aço EMPI fazem todo o sistema funcionar, controlando as válvulas através dos balanceiros roletados 1.25 Bugpack, tuchos EMPI de 30mm e molas de válvula duplas Engle. As engrenagens do comando e do virabrequim são de dente reto da marca EMPI também.

E o turbo?

Ao abrir a tampa traseira, passa facilmente despercebido que o carro é turbo. Se não fossem o intercooler e a pressurização nos corpos duplos RKR de 40mm, o motor 1.9L aos olhos dos desatentos seria mais um aspirado rodando por aí.

O coletor de escape em aço inox esconde o turbo embaixo do “chiqueirinho”. Com saída de 2,5”, foi desenvolvido pela German Race Cars. O turbo é um Garrett GT 2560R com caixa fria .60 e quente .64, que empurram 1,5kg de pressão. O sistema de pressurização e intercooler são da Belquip, que resfriam o ar para admitir nos corpos duplos de 40mm. Estes corpos de borboleta favorecem muito o uso na rua em baixas rotações. A fase aspirada do Fusca é forte e o carro anda bem em qualquer situação, com aceleração moderada ou em retomadas e ultrapassagem, até a entrada do turbo. Os quatro bicos de 120lbs garantem boa alimentação em altas rotações e com pressão, e também um acerto fino nas baixas e marcha lenta aos 900RPM. Todo o gerenciamento do motor é feito pela FuelTech FT400.

A transmissão é um item que sofre muito nos Fuscas, por isso nesse carro o conjunto foi todo reforçado. Câmbio de 1ª a 4ª da Sapinho Câmbios Especiais, pontas de eixo forjadas e blocante 70% também do “Crazy Frog Special Gear Box”. A embreagem de 1200lbs Ceramic Power segura o tranco do motor e o trambulador EMPI permite engates mais rápidos e precisos.

Um carro pensado dos pés a cabeça, tudo o que pode ser melhorado e desenvolvido para performance foi feito. Freios Willwood nas quatro rodas fecham o pacote para acabar de nos matar. O carro é usado constantemente nas ruas de Mogi das Cruzes/SP e durante algumas aparições, na capital paulista. Ao ver o 1972 Laranja Monza, nem se atreva, principalmente se você estiver acompanhado: a vergonha pode ser irreparável! O que nos resta a fazer é sentar, olhar e admirar.

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